E aqui estou, novamente, encostado a este desespero passivo de folha. Desentendido de realidades, incapaz de mim, esfuma-se de novo a tocha tímida que prometia resguardar-se centalhas reveladoras.
Brindo a estas janelas todas semicerradas, fuligem do tempo impôndo-se aquém da lareira, desbotando-se a visão e o oxigénio. Espectadores, o coma imperfeito.
- A Primavera?... - Desperta-me a náusea esta voz trémula e imersa que apela à estação abstracta. No apeadeiro do Jogo, a tocha é o comboio que vem e vai a vapores. Chega a instalar-se o enxofre nesta mecânica que chia, embaciadas.
É de entre a normalidade que visitara que sou demente, por fim. Espreito o pátio e o jardim e os brinquedos idílicos visitados pela chuva, esqueléticos e inadequados.
Não esquecer nunca a dôr antiga. Não esquecer nunca! Não perder nunca o que me distingue e me eleva a esse Abismo de almas, sofrendo pelo corrimão contrastante, dolorosa Serenidade.
E extingo-me, morna incandescência. Enquanto aumenta o carvão, as palavras.
Transfiro-me destrutivamente.